Fotograma feito na Estação da Luz!

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Bairro da Luz

O bairro da Luz, para quem não sabe,foi um dos bairros mais elegantes de SP. Isso há muito tempo atrás.

E também já foi um dos mais degradados de São Paulo, devido principalmente a decadência dos Campos Eliseos (bairro vizinho) que abrigava a antiga rodoviária de São Paulo, rodoviária esta que recebia migrantes muito pobres e sem destino que chegavam aos milhares nas décadas de 60 e 70.

Ele abriga a maravilhosa Sala São Paulo e é sede de três importantes instituições museológicas: o Museu de Arte Sacra, o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca do Estado (cuja filial, chamada de Estação Pinacoteca, fica a poucos passos da matriz). É lá que está a bela Estação da Luz, com sua arquitetura e relógio de inspiração britânica, e o parque (ou jardim), que é visitado pelos paulistanos desde o século XIX. Na vizinhança, encontramos a Sala São Paulo/Estação Júlio Prestes e três importantes ruas de comércio segmentado da cidade: a São Caetano (rua das noivas), José Paulino (da moda, principalmente feminina) e Santa Ifigênia (de produtos eletrônicos).

Bairro da luz e a origem do seu nome

O nome Luz surgiu quando Domingo Luís, conhecido como ”o carvoeiro” por trabalhar na produção de carvão (combustível que tem a ver com iluminação e aquecimento), construiu uma capelinha numa região do Guaré chamada Ireripiranga que, por devoção do pessoal que trabalhava com ele, foi dedicada à Nossa Senhora da Luz.

No início do século XVII, ”o carvoeiro” decidiu transferir a capela para uma região mais ampla, a caminho do sertão e do Rio Tietê, mas ainda no Guaré. A nova construção, apesar de rústica, era mais cuidada e começou a atrair mais visitantes, devotos, e a se tornar referência geográfica para os viajantes. Assim, as pessoas passaram a se referir àquele local tendo como referência a igreja.

Com o passar do tempo, o nome foi abreviado para Luz até para situar o lugar e o diferenciar de outras áreas mais ou menos contíguas, que com o tempo se transformaram em bairros, como Santa Efigênia, Bom Retiro e Barra Funda. E assim, em homenagem à santa de devoção dos carvoeiros, Nossa Senhora da Luz, o bairro é até hoje conhecido como Luz.

Bairro da luz e sua origem

Campo do Guaré ou Caminho do Guarepe – em linguagem indígena “matas em terras molhadas” – porque em épocas de chuva os rios Tamanduateí e Tietê transbordavam e inundavam o local.

O antigo caminho do Guaré foi ocupado durante muito tempo por fazendas e o gado andava solto pelos pastos. Mas, pouco a pouco, pântanos foram aterrados, pontes construídas e locais como o Jardim da Luz e o Seminário Episcopal erguidos, este último inaugurado em 1856, passou por inúmeras transformações, até que em 1927 teve demolida a ala direita da igreja, para abertura da atual rua 25 de Janeiro.

Em 1860 teve início a construção da ferrovia The São Paulo Railway Company, por iniciativa do Barão de Mauá, em associação com o capital inglês, para o escoamento da produção cafeeira do interior para o porto de Santos.

Dessa forma, o bairro recebeu em 1865 a Estação da Luz, o que gerou profundas mudanças no bairro. A área se valorizou e a administração pública realizou obras de melhoria integrando o bairro ao centro da cidade. O comércio no entorno da estação diversificou-se para atender os viajantes com hotéis e restaurantes.

A Luz tornou-se um local aprazível. A atual Avenida Tiradentes era um arborizado boulevard e os paulistanos freqüentavam o Jardim da Luz nos finais de semana. Nos Campos Elíseos, bairro vizinho, a elite do café construiu seus palacetes. E bairros populares surgiram nas proximidades para abrigar os trabalhadores das ferrovias e do comércio local.

Entretanto, o desenvolvimento do bairro e de toda a cidade trouxe no bojo os fatores de sua degradação. Por não haver mais para onde expandir, e devido ao antigo problema de transbordamento dos rios Tamanduateí e Tietê, o bairro foi perdendo importância e a população começou a se dirigir para as zonas sul e oeste.

Gradualmente, no século XX, a utilização da ferrovia declinou e ela perdeu sua antiga função. Além de ter de competir com os bondes, carros e, posteriormente, ônibus e caminhões a estação passou a integrar o sistema metropolitano de transporte de passageiros das regiões mais periféricas, o que popularizou a região.

A presença de cortiços, prostituição e comércio de drogas desvalorizaram ainda mais o bairro, juntamente com a implantação do metrô e transformação da Avenida Tiradentes em via expressa. Todos esses fatores aliados ao caos trazido pelo eixo rodoviário das marginais terminaram por degradar ainda mais o bairro.

Revitalização da área

A repressão ao tráfico de drogas expulsou boa parte dos traficantes das ruas da Luz. E muitos hotéis de pequeno porte (onde viciados consumiam drogas e prostitutas atraíam clientes) foram fechados. Mas ainda é uma gota no oceano de medidas que precisam ser tomadas para revitalizar de vez a Luz.

Projetos para revitalizar a Luz não faltam, alguns muito interessantes, como o de Jaime Lerner. O ex-prefeito de Curitiba, ex-governador do Paraná e urbanista preparou um projeto que visa a criação de três bulevares para circulação de pedestres e concentração de serviço nas imediações da estação. Os bulevares seriam na Cásper Líbero, Ipiranga, Duque de Caxias e Rio Branco. Com as calçadas esburacadas e quase abandonadas atualmente, eles sediariam bares, restaurantes, ateliês e centros culturais. Todos os quarteirões do entorno teriam praças e a maioria dos edifícios seria voltada para a habitação. Um dos projetos mais interessantes de Lerner é o da Torre da Luz, edifício que seria o mais alto da cidade. No topo, o urbanista idealizou grandes holofotes que embelezariam os céus da cidade. Mas o mais interessante é a possibilidade de criar no prédio um mirante tão bom ou melhor que o do Altino Arantes e do Edifíco Itália.

O Lado Negro da Luz

Apesar de ser bairro histórico,com uma bela arquitetura o bairro da Luz também tem o seu lado obscuro, os motivos são a prostituição, o alto consumo de drogas e a violência. O consumo de crack em algumas ruas próximas à estação (daí a alcunha Cracolândia ) chega a assustar muita gente. O número de pedintes e de pessoas dormindo nas calçadas, além do cheiro de xixi (que, aliás, infesta grande parte da região central) espantam os turistas. Quanto à prostituição (hetero e homossexual), ela rola nas calçadas, no parque e, afirmam os transeuntes, até na estação.

As ruas da Luz ficam às moscas à noite. Ao que parece, nem mesmo os moradores tem coragem de circular pelo bairro após o anoitecer. O consumo de drogas quadruplica em algumas vias, mesmo com a repressão da polícia. A degradação (pixações, prédios abandonados etc) chegou a tal ponto que obrigou as autoridades a criar um projeto de revitalização da área.

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